Não é falta de desejo. É excesso de cansaço!

Não é falta de desejo. É excesso de cansaço!

Durante muito tempo ensinou-se que a falta de desejo era um problema íntimo.
Algo que se passava “dentro da pessoa”. Como se o corpo tivesse falhado.

Mas, na maioria dos casos, o corpo não falha.
Ele protege-se.

Vivemos cansados — e não apenas fisicamente.
Cansados de pensar, decidir, corresponder, resolver, gerir emoções, expectativas e rotinas que nunca acabam.

E um corpo cansado não deseja.
Um corpo cansado quer descanso, não estímulo.

O cansaço que não aparece nas análises

Há um tipo de cansaço que não se resolve com uma noite de sono.
É o cansaço mental e emocional:

  • excesso de responsabilidade

  • falta de tempo para si

  • sensação constante de estar “em modo automático”

  • necessidade permanente de estar disponível para os outros

Quando este cansaço se acumula, o desejo não desaparece por falta de amor — desaparece por falta de espaço interno.

Porque é que o desejo é o primeiro a ir-se embora?

O desejo exige presença.
Exige que o corpo esteja no agora.

Mas quando a cabeça está sempre no que falta fazer, no que correu mal ou no que vem a seguir, o corpo desliga-se como forma de sobrevivência.

Não é rejeição.
Não é frieza.
Não é desinteresse.

É exaustão.

A culpa silenciosa

Muitas pessoas sentem culpa por “não apetecer”.
Forçam-se.
Cumprem.
E, sem se aperceberem, afastam-se ainda mais do prazer.

O corpo aprende rápido:
se prazer significa esforço, pressão ou obrigação, ele fecha a porta.

Recuperar o desejo começa fora do quarto

Antes de pensar em técnicas, novidades ou estímulos, há uma pergunta essencial:

👉 Onde é que o corpo pode descansar durante o dia?

Pequenos gestos fazem mais pelo desejo do que grandes promessas:

  • momentos de silêncio

  • pausas reais

  • toque sem intenção

  • tempo sem exigência

O desejo não gosta de cobrança.
Gosta de segurança.

Não é falta de desejo. É um pedido de cuidado.

Quando o corpo diz “não”, muitas vezes está apenas a pedir:
abrande.

E quando esse pedido é ouvido, o desejo não precisa de ser forçado.
Ele volta — devagar, mas inteiro.

Porque o prazer não nasce do esforço.
Nasce do espaço.

E espaço começa com descanso.

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